Tributo a PHIL LYNOTT
Phil Lynott (1948-1986)
"UM IRLANDÊS "BLACK POWER"
Imaginem a Irlanda dos anos 50 e 60...
Um país dominado e castrado pelo domínio britânico, cheio de sérios problemas religiosos entre católicos e pro-*test*-('")antes, e vivendo uma guerrilha interna entre o exército britânico e o grupo terrorista de libertação, o IRA. Foi assim os primeiros anos de vida do nosso principal personagem.
Agora imaginem, anos depois, já na Inglaterra, a vida do "moreno" Phillip Parris Lynott, herança de um pai brasileiro (que abandonara o rebento e a mãe três semanas depois do nascimento), criado pela avó Sarah depois de ter mudado com a mãe para Manchester, cansado da pobreza, falta de escola e das eternas brigas de rua.
Lynott, sob esse "mar de rosas", resolveu tentar carreira no Boxe. Só assim poderia extravazar toda a sua rebeldia e os hormônios de um jovem pobre e negro que vagava nos subúrbios de Manchester. Mas cansado de apanhar no ringue e achando que isso não faria muito sucesso com as garotas, Phil resolveu virar rockeiro.
Daí em diante, os ringues mofados de Dublin seriam trocados pelos grandes palcos iluminados e os gritos de sadismo de uma miserável platéia, seriam trocados pela ovação alucinada de milhões de fãs no mundo todo.
O ano era 1967 e aproveitando o timbre de sua belíssima voz, começou pelo soul e rhytm'n'blues com o grupo Black Eagles. Mas acabou aderindo ao rock, quando encontrou Gary Moore, líder do Skid Row (não tem nada a ver com aquela banda americana “farofa” do princípio dos anos 90), que o convidou para tocar uns tempos com ele. Mas Phil, levemente instável (o famoso “porra louca”), partiu para uma carreira de folksinger durante um ano.
Finalmente, em 69, junto com seu colega de escola Brian Downey (bateria), montou seu primeiro grupo, o Orphanage onde resolve assumir o baixo junto como vocal - até então apenas cantava. Nessa época, Phil já havia embarcado no LSD. Todos sabem o final dessa história, certo? Irei chegar no desfecho dela logo.
NASCE O THIN LIZZY
Só em 70 é que o guitarrista Eric Bell (ex-Them e músico do grande Van Morrison) firmou lugar e o grupo passou a se chamar Thin Lizzy.
A origem desse estranho nome tem várias versões. Mas três parecem disputar o trono de verdadeira. Uma delas diz que o nome veio de um personagem de história em quadrinho chamado TIN LIZZIE.
A segunda, um pouco mais poética, faz referência a uma famosa ladra irlandesa: a “Elegante Elizabeth” (Thin Lizzy).
A terceira, alguns dizem, seria uma referência ao “King Lizard” de Jim Morrison, pois Phil Lynott, bem mais magro que o “Dionísio californiano” seria o “Thin Lizzy” (lagarto magro) irlandês.
Pirações etimológicas à parte, o fato é que esses três amigos, foram para Londres tentar o sucesso. Mas os dois primeiros discos, Thin Lizzy e Shades of a Blue Orphanage não tiveram uma boa repercussão. Talvez pela falta de estilo do grupo, que ia da balada a um rock dos mais agressivos. As coisas precisavam melhoram bastante no terceiro disco. Senão seria o fim a da banda.
Nessa mesma época, Ritchie Blackmore, o lendário guitarrista do Deep Purple, aproveitando a paralização da tournée nos EUA por motivo de doença do vocalista Ian Gillan, resolve fundar uma banda com o fenomenal baterista Ian Paice (também Deep Purple) e com Phil Lynott chamada Babe Face. Mas o projeto não foi pra frente porque o sucesso do álbum Machine Head deixou o Deep Purple ocupado por muito tempo (até hoje).
Mas voltando ao Thin Lizzy... Pressionados pelo agente da DECCA Records, Chris Morrison, a fazerem um single de sucesso, saiu Whiskey In A Jar, versão de uma tradicional música irlandesa.
O terceiro disco, Vagabonds Of A Western World, foi recebido mais calorosamente. Mas Eric Bell, que não gostava nem um pouco dessas jogadas de marketing dos empresários, acabou deixando o Thin Lizzy em 74 depois de algumas brigas e sérios problemas com o álcool (chegou a ser internado em coma no hospital). Como disse a revista Rock Brigate sobre o assunto, “era o primeiro fim do THIN”.
"VAGABONDS" ON THE ROAD
Eric Bell foi substituído pelo velho amigo de Phil, Gary Moore, por apenas 3 meses. O tempo de um compacto, Little Darling
Nessas alturas dos acontecimentos (1974), o Thin Lizzy passa por uma fase das mais desencorajadoras. Durante alguns shows, com os guitarristas Andy Gee e John Cann, Phil se vê com a ameaça do baterista Downey abandonar a banda. Mas é nesse momento é que acontece o encontro com dois geniais músicos em Londres: o escocês Brian Robertson (um jovem temperamental de apenas 18 anos) e o californiano Scott Gorham (que estava tentando a sorte na cola de seu cunhado, Bob Benberg, batera do Supertramp).
Com a liderança ultracarismática, a voz e a exuberante técnica de Phil Lynott no baixo (poucos tocam baixo com palheta com a mesma competência dele), a excelente dupla de guitarristas e um baterista que segurava “todas”, o Thin Lizzy arrasa em shows ao vivo memoráveis (a performance da banda no Marquee rendeu um contrato com a PHONOGRAM).
Lançam em outubro de 74, Night Life que já mostra visível uma evolução para o hard-rock de primeira linha.
O álbum Fighting, de 75, emplaca mais ainda com o público. Um terceiro álbum em 76, o histórico Jailbreak, com o tema The Boys Are Back In Town consolida definitivamente a banda. Mas como a bruxa estava à solta para os rapazes, Phil contrai hepatite no meio da tournée no “States”. A banda é obrigada a voltar mais cedo dos EUA. O próximo disco, o conceitual Johnny The Fox (com participação especial na percussão de ninguém menos do que o então batera do Genesis, Mr. Phil Collins) sai no mesmo ano (dá pra notar a cara amarelada de Lynott na foto do encarte do álbum).
Brian Robertson, machucado numa briga (corta os tendões do braço), tem que desistir da primeira tournée nos Estados Unidos junto com o Queen em 77, sendo substituído na última hora por Gary Moore (de novo). Brian voltou durante o final das gravações de Bad Reputation (com participação especial no sax e clarinete de John Helliwell Supertramp), mas a capa só mostra um trio.
No princípio de 78, Downey e Lynott participam do álbum solo de Moore, Back In The Streets. Mas o Thin Lizzy continuou incendiando as platéias, agora nos festivais (Reading e outros). Assim saiu o registro apoteótico do grupo, o fantástico Live & Dangerous.
Chegamos agora a uma fase muito conturbada (que novidade!). Todos na banda partem para uma sucessão de despedidas, voltas, bandas projetos, trabalhos solos e participações em outras bandas que fica praticamente impossível manter essa narrativa coerente e agradável (espero que até aqui ela esteja).
Pouco depois de Live & Dangerous, Brian saiu de vez para formar o Wild Horses. Gary Moore voltou pela terceira vez e só então participou da gravação de um disco com a banda, o excelente e folclórico Black Rose. Será que o leitor advinha o que aconteceu em seguida?? Isso mesmo! A banda mudou novamente! Adivinhem quem?? Gary Moore.. lógico!!
Com a saída de Moore, quem entrou então foi Midge Ure (ex-Rich Kids), que havia participado do primeiro álbum solo de Phil Lynott, Sold in Soho (infelizmente a faixa título é um reggae). Este fica o tempo de uma tournée e é substituído Midge Ure, seqüenciado por David Fleet e finalmente por Snowy White (session-man de Peter Green e Pink Floyd).
Farei uma pequena revisão agora...o Thin Lizzy, agora, depois de “137 formações”, ficou como Phill Lynott, Scott Gorham, Snowy White e Brian Downey. Está claro??
UMA DÉCADA PERIGOSA
Agora estamos nos anos 80. Fase perigosa para a “música de verdade”. Estamos na era do vídeo clip (maldita MTV), na era das músicas de 3 minutos, na era do “jabá” das rádios e programas de televisão (não que isso não existisse antes, mas o bicho começou a pegar nessa década), na era dos contratos milionários para lançamentos de discos que ainda nem haviam sido escritos e trabalhados, na era onde as guitarras seriam usadas apenas para “paletadas” acéfalas e a bateria só precisaria ter 3 peças. Enfim, estávamos na era em que MUITAS bandas memoráveis nos anos 60 e 70 preferiram sair do Olímpio para se misturar com a ralé no esgoto numa procura desesperada por mais dinheiro, laquê no cabelo e troféus efêmeros na TV.
Será que o Thin Lizzy conseguiu entrar nessa famigerada década como acabou a gloriosa década de 70? A resposta é.. Não! Mas não foi o fim do mundo. O Thin Lizzy agora era mais “metal” do que “hard”, mas continuou a fazer um rock de primeira qualidade e conseguiu agradar o público antigo. Em 1980, gravaram o exótico e pesado álbum Chinatown.
Mas havia uma surpresa no próximo disco para os fãs. Entrou um tecladista na formação, Darren Wharton. Pela primeira vez, como quinteto, o Thin Lizzy lança o álbum Renegade em 81. Logo após, o incansável Phil Lynott lança mais um álbum solo, Album de 82. Cheio de convidados. Além do pessoal do Lizzy, está lá, dentre outros, Mark Knopfler (o genial guitarrista do Dire Straits) e do guitarrista John Sykes (ex-Tyger of Pan Tang e futuro Whitesnake) que acabaria substituindo Snowy White no próximo e último disco, o pesado Thunder & Lightning de 1983.
O FIM DE "ELIZABETH"
Depois do lançamento de Thunder & Lightning, Lynott anuncia que a “Elizabeth” vai encerrar carreira. Entretanto é dada uma tournée de despedida culminada num show antológico no Hammersmith Odeon de Londres, com a participação de seus seis guitarristas conforme a música que era recordada, e no final do show, todos no palco durante a clássica The Rocker. Parte desse show foi registrado no álbum duplo póstumo Live-Life lançado em 84.
Ainda em agosto de 83 apareceriam pela última vez no Festival de Reading. Pensava-se numa carreira solo de Phil Lynott que no entanto preferiu formar outro grupo, o Grand Slam. Apesar de um trabalho parecido ao do Thin Lizzy, o grupo não consegue se fixar profissionalmente, se dissolvendo em 1985. Phil então, passa a participar de shows e gravações de amigos (de Gary Moore a Motorhead). Chega até a aparecer nas paradas em dois compactos: Out In The Fields com Gary Moore, e sozinho com Nineteen.
Mas infelizmente, em 1986, o grande líder do Thin Lizzy, morreu depois ter estado em coma por 2 semanas. A causa morte ainda é muito discutida. Alguns dizem que foi devido ao abuso de drogas pesadas e de álcool. Outros dizem que não foi vítima de uma overdose, e sim da famigerada AIDS. O motivo aqui é o que menos importa.
Apenas uma curiosidade mórbida: na última música (Heart Attack) do último álbum (Thunder And Lightning), Lynott nos fala de um rapaz desesperado que se afunda nas drogas e no álcool até a morte.
O fato é que aquele que tinha o mais puro rock´n´roll correndo nas veias, havia deixando um vazio no mundo do rock que jamais seria tapado novamente. Lynott era a alma, a cara, a voz, o ritmo e a força de uma das poucas bandas de rock que realmente fizeram as caixas de som desse mundo de medíocridade balançar.
Por isso e muito mais, faço dessa página um tributo a você, Phil Lynott!!
R.I.P"
Fonte:
http://orbita.starmedia.com/thinlizzy/historia/historia.htm
Thin Lizzy - Whiskey in the jar
http://www.youtube.com/watch?v=TehFZ38kt6o
Thin Lizzy - Bad Reputation
http://www.youtube.com/watch?v=qhtgxS6z9yo
Thin Lizzy - The boys are back in town
http://www.youtube.com/watch?v=1FmPhJkdTwU&mode=related&search=
Thin Lizzy - The Cowboy Song
http://www.youtube.com/watch?v=bG_r62_R83k&mode=related&search=
Thin Lizzy - Don't Believe A Word
http://www.youtube.com/watch?v=0rUSiXIURfg&mode=related&search=
Thin Lizzy Live 1983 - The Sun Goes Down
http://www.youtube.com/watch?v=M5jDrqB83Ls&mode=related&search=
Gary Moore with Phil Lynott - Parisienne Walkways (live)
http://www.youtube.com/watch?v=18FgnFVm5k0
Gary Moore & Phil Lynott- Out in the Fields
http://www.youtube.com/watch?v=xsKpazeA5L8
JMG- 08-06-2007
uma das maiores bandas rock de sempre e um fantástico frontman
Lusitano- 08-06-2007
Um dos pais de toda esta "cena".
x_acto- 08-06-2007
Belo artigo e grande homenagem!
wcnoise- 08-08-2007
adoro essa banda tem um feeling do camano podem crer :)
Rick- 08-08-2007
Paz à sua alma! Foi um grande músico!!
marouco- 08-08-2007
Andei feito estupido perdido nuns 2 ou 3 cemiterios em Dublin à procura do gajo e nada....(aquilo de começar a beber à 1 da tarde é terrivel).
Agora fizeram uma estatua mesmo no centro do temple bar...tenho que lá ir beber uns copos
ravscool- 10-20-2007
Tributo dos Europe ao Phil Lynott e aos Thin Lizzy Vejam este tributo ao Phil Lynott e aos Thin Lizzy neste videoclip da música Hero dos Europe.
http://www.megavideo.com/?v=I6DWH99I
Muito boa a música e com estilos de Thin Lizzy como a posição das guitarras e a gesto de punho fechado no final do vídeo.
Fiquem bem
Lusitano- 10-20-2007
O John Norum é muito influenciado por Thin Lizzy.
ravscool- 10-20-2007
O John Norum é muito influenciado por Thin Lizzy.
E o vocalista Joey Tempest quando tinha 16 ou 17 anos foi sozinho desde a Suécia até Londres ver os Thin Lizzy e conseguiu depois falar com o seu ídolo o Phil Lynott. Este foi o primeiro concerto de rock que ele tinha ido ver.
Santyago- 07-16-2008
A minha irmã é fã do gajo e ela só nasceu 6 anos depois da morte dele :shock:
JMG- 07-16-2008
A minha irmã é fã do gajo e ela só nasceu 6 anos depois da morte dele :shock:
e?
não pode ser fã de alguêm que morreu antes?
Santyago- 07-16-2008
A minha irmã é fã do gajo e ela só nasceu 6 anos depois da morte dele :shock:
e?
não pode ser fã de alguêm que morreu antes?Tava a realçar o trabalho musical imortal dele e da banda para as gerações futuras :|
diabox- 07-16-2008
coragem, faltou esta:
http://www.youtube.com/watch?v=oMFYs3gfgis
o rock, o rock eheh
marlispor- 07-17-2008
Uma das minhas principais influencias....
comecei a ouvir TL desde que nasci praticamente..
e recordo-me bem de ver o meu irmão mais velho (que foi dos maiores fans que conheci de TL) chorar a sua morte.....
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